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DIABETE MELLITUS (DM)

 

Por que discutir diabete aqui?

Os avanços no tratamento do diabetes mellitus têm permitido uma maior e melhor sobrevida aos pacientes. Em Odontologia, medidas preventivas contra doenças bucais e novas técnicas restauradoras têm propiciado a manutenção prolongada dos dentes. Assim, vêm aumentando o número de portadores de diabetes mellitus que procuram o tratamento odontológico de rotina e a participação do cirurgião-dentista no diagnóstico e tratamento de manifestações orais dessa patologia.

O Cirurgião-dentista também é responsável pela qualidade de vida, prevenção de complicações da doença e compensação da glicemia do paciente portador de diabetes. O diabetes é um dos mais graves problemas de saúde pública, sendo uma das principais causa de morte no mundo, superada apenas pelas doenças cardiovasculares e câncer (O.M.S., 1991).

1.     A cada 100 pessoas de 7 a 9 tem diabetes.

2.     É uma doença silenciosa e não contagiosa.

3.     Você pode ter diabetes e não saber.

4.     Se descoberto e tratado a vida do paciente pode ser saudável e normal.

 

Nossa discussão vai girar em torno do atendimento clinico odontológico ao paciente diabético. Faremos primeiro uma rápida explanação dessa doença para tornar os assuntos subseqüentes mais inteligíveis para o paciente não especialista. Deve-se ficar claro que essa discussão passará longe de esgotar o assunto.


O QUE É DIABETE MELLITUS? 


É uma doença provocada pela deficiência de produção e/ou de ação da insulina, que leva a sintomas agudos e a complicações crônicas características




O distúrbio envolve o metabolismo da glicose, das gorduras e das proteínas e tem graves conseqüências tanto quando surge rapidamente como quando se instala lentamente. Nos dias atuais se constitui em problema de saúde pública pelo número de pessoas que apresentam a doença, principalmente no Brasil.

Areteu da Capadócia, no século II, deu a esta doença o nome de "diabetes", que em grego significa "sifão", referindo-se ao seu sintoma mais chamativo que é a eliminação exagerada de água pelos rins.

Thomas Willis, em 1679, fez uma magistral descrição da diabetes para a época, ficando desde então reconhecida por sua sintomatologia como entidade clínica.

Foi ele quem, referindo-se ao sabor doce da urina, lhe deu o nome de diabetes mellitus (sabor de mel).

Apresenta diversas formas clínicas, sendo classificado em: 

 Diabetes Mellitus tipo I:

Ocasionado pela destruição da célula beta do pâncreas, em geral por decorrência de doença auto-imune, levando a deficiência absoluta de insulina.

 

 Diabetes Mellitus tipo II:

Provocado predominantemente por um estado de resistência à ação da insulina associado a uma relativa deficiência de sua secreção.

 

 Outras formas de Diabetes Mellitus:

Quadro associado a desordens genéticas, infecções, doenças pancreáticas, uso de medicamentos, drogas ou outras doenças endócrinas.

 

 Diabetes Gestacional:

Circunstância na qual a doença é diagnosticada durante a gestação, em paciente sem aumento prévio da glicose. 





COMO SE DESENVOLVE?

Conforme pode ser observado no item acima (formas clínicas), são várias as causas do DM.

No DM tipo I, a causa básica é uma doença auto-imune que lesa irreversivelmente as células pancreáticas produtoras de insulina (células beta). Assim sendo, nos primeiros meses após o início da doença, são detectados no sangue dos pacientes, diversos anticorpos sendo os mais importantes o anticorpo anti-ilhota pancreática, o anticorpo contra enzimas das células beta (anticorpos antidescarboxilase do ácido glutâmico - antiGAD, por exemplo) e anticorpos anti-insulina. 





No DM tipo II, ocorrem diversos mecanismos de resistência a ação da insulina, sendo o principal deles a obesidade, que está presente na maioria dos pacientes.

Nos pacientes com outras formas de DM, o que ocorre em geral é uma lesão anatômica do pâncreas, decorrente de diversas agressões tóxicas seja por álcool, drogas, medicamentos ou infecções, entre outras.

 

O QUE SE SENTE? 

Os sintomas do DM são decorrentes do aumento da glicemia e das complicações crônicas que se desenvolvem a longo prazo. 

Os sintomas do aumento da glicemia são: 

DIABETE03
1.
    
Sede excessiva

2.     Aumento do volume da urina, 

3.     Aumento do número de micções

4.     Surgimento do hábito de urinar à noite

5.     Fadiga, fraqueza, tonturas

6.     Visão borrada

7.     Aumento de apetite

8.     Perda de peso.

  

Estes sintomas tendem a se agravar progressivamente e podem levar a complicações severas que são a cetoacidose diabética (no DM tipo I) e o coma hiperosmolar (no DM tipo II).

Os sintomas das complicações envolvem queixas visuais, cardíacas, circulatórias, digestivas, renais, urinárias, neurológicas, dermatológicas e ortopédicas, entre outras. 

Sintomas visuais:

O paciente com DM descompensado apresenta visão borrada e dificuldade de refração. As complicações a longo prazo envolvem diminuição da acuidade visual e visão turva que podem estar associadas a catarata ou a alterações retinianas denominadas retinopatia diabética. A retinopatia diabética pode levar ao envolvimento importante da retina causando inclusive descolamento de retina, hemorragia vítrea e cegueira

Sintomas cardíacos:

Pacientes diabéticos apresentam uma maior prevalência de hipertensão arterial, obesidade e alterações de gorduras. Por estes motivos e, principalmente se houver tabagismo associado, pode ocorrer doença cardíaca. A doença cardíaca pode envolver as coronárias, o músculo cardíaco e o sistema de condução dos estímulos elétricos do coração. Como o paciente apresenta em geral também algum grau de alteração dos nervos do coração, as alterações cardíacas podem não provocar nenhum sintoma, sendo descobertas apenas na presença de sintomas mais graves como o infarto do miocárdio, a insuficiência cardíaca e as arritmias. 

Sintomas circulatórios:

Os mesmos fatores que se associam a outras complicações tornam mais freqüentes as alterações circulatórias que se manifestam por arteriosclerose de diversos vasos sangüíneos. São freqüentes as complicações que obstruem vasos importantes como as carótidas, a aorta, as artérias ilíacas, e diversas outras de extremidades. Essas alterações são particularmente importantes nos membros inferiores (pernas e pés), levando a um conjunto de alterações que compõem o "pé diabético". O "pé diabético" envolve, além das alterações circulatórias, os nervos periféricos (neuropatia periférica), infecções fúngicas e bacterianas e úlceras de pressão. Estas alterações podem levar a amputação de membros inferiores, com grave comprometimento da qualidade de vida

Sintomas digestivos:

Pacientes diabéticos podem apresentar comprometimento da inervação do tubo digestivo, com diminuição de sua movimentação, principalmente em nível de estômago e intestino grosso. Estas alterações podem provocar sintomas de distensão abdominal e vômitos com resíduos alimentares e diarréia. A diarréia é caracteristicamente noturna, e ocorre sem dor abdominal significativa, freqüentemente associado com incapacidade para reter as fezes (incontinência fecal). 

Sintomas renais:

O envolvimento dos rins no paciente diabético evolui lentamente e sem provocar sintomas. Os sintomas quando ocorrem em geral já significam uma perda de função renal significativa. Esses sintomas são: inchume nos pés (edema de membros inferiores), aumento da pressão arterial, anemia e perda de proteínas pela urina (proteinúria). 

Sintomas urinários:

Pacientes diabéticos podem apresentar dificuldade para esvaziamento da bexiga em decorrência da perda de sua inervação (bexiga neurogênica). Essa alteração pode provocar perda de função renal e funcionar como fator de manutenção de infecção urinária. No homem, essa alteração pode se associar com dificuldades de ereção e impotência sexual, além de piorar sintomas relacionados com aumento de volume da próstata. 

 Sintomas neurológicos:

O envolvimento de nervos no paciente diabético pode provocar neurites agudas (paralisias agudas) nos nervos da face, dos olhos e das extremidades. Podem ocorrer também neurites crônicas que afetam os nervos dos membros superiores e inferiores, causando perda progressiva da sensibilidade vibratória, dolorosa, ao calor e ao toque. Essas alterações são o principal fator para o surgimento de modificações na posição articular e de pele que surgem na planta dos pés, podendo levar a formação de úlceras ("mal perfurante plantar"). Os sinais mais característicos da presença de neuropatia são a perda de sensibilidade em bota e luva, o surgimento de deformidades como a perda do arco plantar e as "mãos em prece" e as queixas de formigamentos e alternância de resfriamento e calorões nos pés e pernas, principalmente à noite.

Sintomas dermatológicos:

Pacientes diabéticos apresentam uma sensibilidade maior para infecções fúngicas de pele (tinha corporis, intertrigo) e de unhas (onicomicose). Nas regiões afetadas por neuropatia, ocorrem formações de placas de pele engrossada denominadas hiperceratoses, que podem ser a manifestação inicial do mal perfurante plantar. 

 Sintomas ortopédicos:

A perda de sensibilidade nas extremidades leva a uma série de deformidades como os pés planos, os dedos em garra, e a degeneração das articulações dos tornozelos ou joelhos ("Junta de Charcot"). 


COMO O MÉDICO FAZ O DIAGNÓSTICO? 

O diagnóstico pode ser presumido em pacientes que apresentam os sintomas e sinais clássicos da doença, que são: sede excessiva, aumento do volume e do número de micções (incluindo o surgimento do hábito de acordar a noite para urinar), fome excessiva e emagrecimento. Na medida em que um grande número de pessoas não chega a apresentar esses sintomas, durante um longo período de tempo, e já apresentam a doença, recomenda-se um diagnóstico precoce.

O diagnóstico laboratorial do Diabetes Mellitus é estabelecido pela medida da glicemia no soro ou plasma, após um jejum de 8 a 12 horas. Em decorrência do fato de que uma grande percentagem de pacientes com DM tipo II descobre sua doença muito tardiamente, já com graves complicações crônicas, tem se recomendado o diagnóstico precoce e o rastreamento da doença em várias situações. O rastreamento de toda a população é, porém discutível.




FATORES DE RISCO PARA O DIABETES MELLITUS


Existem situações nas quais estão presentes fatores de risco para o Diabetes Mellitus, conforme apresentado a seguir:
 

1.     Idade maior ou igual a 45 anos

2.     História Familiar de DM (pais, filhos e irmãos)

3.     Sedentarismo

4.     HDL-c baixo ou triglicerídeos elevados

5.     Hipertensão arterial

6.     Doença coronariana

7.     DM gestacional prévio

8.     Filhos com peso maior do que 4 kg, abortos de repetição ou morte de filhos nos primeiros dias de vida

9.     Uso de medicamentos que aumentam a glicose (cortisonas, diuréticos tiazídicos e beta-bloqueadores).

 




OBJETIVOS DO TRATAMENTO

 

Os objetivos do tratamento do DM são dirigidos para se obter uma glicemia normal tanto em jejum quanto no período pós-prandial, e controlar as alterações metabólicas associadas.







TRATAMENTO

 

O tratamento do paciente com DM envolve sempre pelos menos 4 aspectos importantes: 

1.     Plano alimentar:    

 

É o ponto fundamental do tratamento de qualquer tipo de paciente diabético. O objetivo geral é o de auxiliar o indivíduo a fazer mudanças em seus hábitos alimentares, permitindo um controle metabólico adequado. Além disso, o tratamento nutricional deve contribuir para a normalização da glicemia, diminuir os fatores de risco cardiovascular, fornecer as calorias suficientes para manutenção de um peso saudável, prevenir as complicações agudas e crônicas e promover a saúde geral do paciente.

Para atender esses objetivos a dieta deveria ser equilibrada como qualquer dieta de uma pessoa saudável normal, sendo individualizada de acordo com as particularidades de cada paciente incluindo idade, sexo, situação funcional, atividade física, doenças associadas e situação sócioeconômico-cultural. 

Composição do plano alimentar

 

A composição da dieta deve incluir 50 a 60% de carboidratos, 30% de gorduras e 10 a 15% de proteínas (para maiores detalhes vide a página ‘nutrição’ desse site).

Os carboidratos devem ser preferencialmente complexos e ingeridos em 5 a 6 porções por dia.

As gorduras devem incluir no máximo 10% de gorduras saturadas, o que significa que devem ser evitadas carnes gordas, embutidos, frituras, laticínios integrais, molhos e cremes ricos em gorduras e alimentos refogados ou temperados com excesso de óleo.

As proteínas devem corresponder a 0,8 a 1,0 g/kg de peso ideal por dia, o que corresponde em geral a 2 porções de carne ao dia. Além disso, a alimentação deve ser rica em fibras, vitaminas e sais minerais, o que é obtido pelo consumo de 2 a 4 porções de frutas, 3 a 5 porções de hortaliças, e dando preferência a alimentos integrais. O uso habitual de bebidas alcoólicas não é recomendável, principalmente em pacientes obesos, com aumento de triglicerídeos e com mau controle metabólico. Em geral podem ser consumidos uma a duas vezes por semana, dois copos de vinho, uma lata de cerveja ou 40 ml de uísque, acompanhados de algum alimento, uma vez que o álcool pode induzir a queda de açúcar (hipoglicemia).

 

Abaixo o leitor encontra a 'pirâmide alimentar' dirigida ao paciente diabético:








Atividade física: 

 

Todos os pacientes devem ser incentivados a pratica regular de atividade física, que pode ser uma caminhada de 30 a 40 minutos ou exercícios equivalentes. A orientação para o início de atividade física deve incluir uma avaliação médica adequada no sentido de avaliar a presença de neuropatias ou de alterações cardiocirculatórias que possam contra-indicar a atividade física ou provocar riscos adicionais ao paciente.


Medicamentos, Hipoglicemiantes orais: 

 

São medicamentos úteis para o controle de pacientes com DM tipo II, estando contra-indiciados nos pacientes com DM tipo I. Em pacientes obesos e hiperglicêmicos, em geral a medicação inicial pode ser a metformina, as sultoniluréias ou as tiazolidinedionas. A insulina é a medicação primordial para pacientes com DM tipo I, sendo também muito importante para os pacientes com DM tipo II que não responderam ao tratamento com hipoglicemiantes orais.


         Rastreamento:   

 

O rastreamento, a detecção e o tratamento das complicações crônicas do DM devem ser sempre realizados conforme diversas recomendações.

Essa abordagem está indicada após cinco anos do diagnóstico de DM tipo I, no momento do diagnóstico do DM tipo II, e a seguir anualmente.

Esta investigação inclui o exame de fundo de olho com pupila dilatada, a microalbuminúria de 24 horas ou em amostra, a creatinina sérica e o teste de esforço. Uma adequada analise do perfil lipídico, a pesquisa da sensibilidade profunda dos pés deve ser realizada com mofilamento ou diapasão, e um exame completo dos pulsos periféricos deve ser realizada em cada consulta do paciente. Uma vez detectadas as complicações existem tratamentos específicos, os quais serão mais bem detalhados pelo endocrinologista.


Como se previne? 

A prevenção do DM só pode ser realizada no tipo II e nas formas associadas a outras alterações pancreáticas. No DM tipo I, na medida em que o mesmo se desenvolve a partir de alterações auto-imunes, essas podem ser até mesmo identificadas antes do estado de aumento do açúcar no sangue. Esse diagnóstico precoce não pode ser confundido, porém, com prevenção, que ainda não é disponível.

No DM tipo II, na medida em que uma série de fatores de risco são bem conhecidos, pacientes que sejam portadores dessas alterações podem ser rastreados periodicamente e orientados a adotarem comportamentos e medidas que os retire do grupo de risco

Assim é que pacientes com história familiar de DM devem ser orientados a:

 

1.     Manter peso normal

2.     Praticar atividade física regular

3.     Não fumar

4.     Controlar a pressão arterial

5.     Evitar medicamentos que potencialmente possam agredir o pâncreas (cortisona, diuréticos tiazídicos) 

 



Essas medidas, sendo adotadas precocemente, podem resultar no não aparecimento do DM em pessoa geneticamente predisposta, ou levar a um retardo importante no seu aparecimento e na severidade de suas complicações. 

 

 PERGUNTAS E RESPOSTAS DIRIGIDAS AO PACIENTE

 

Existe uma ligação entre as doenças gengivais e diabetes?

 

Dos 21 milhões de americanos que têm diabetes, muitos podem ficar surpresos com uma inesperada complicação associada com esta condição. Pesquisas sugerem que há uma prevalência aumentada de doenças gengivais (gengivite e periodontite) dentre aqueles com diabetes, somando as doenças gengivais a uma lista de outras complicações associadas com diabetes, tais como doenças cardíacas, acidentes vasculares encefálicos isquêmicos (derrame cerebral) e doenças renais.


 

 

Existe uma via de mão dupla?

 

Pesquisas recentes sugerem que a relação entre doenças gengivais e diabetes é uma via de mão dupla. Não somente as pessoas com diabetes são suscetíveis às doenças gengivais, mas esta pode ter o potencial de afetar o controle glicêmico no sangue e contribuir para a progressão do diabetes.

Pesquisas sugerem que pessoas com diabetes têm alto risco de adquirirem problemas bucais, tais como gengivite (um estágio inicial de doença gengival) e periodontite (doença gengival avançada com perdas ósseas).

Pessoas com diabetes têm um risco aumentado para doenças gengivais avançadas porque os diabéticos são geralmente mais suscetíveis às infecções bacterianas, e têm uma diminuição na capacidade de combater as bactérias que invadem o tecido gengival.

O Surgeon General´s Report on Oral Health afirma que uma boa saúde bucal é parte integrante da saúde geral. Por isso capriche na higienização bucal e consulte o dentista regularmente.

 

 

Por ser diabético corro um risco maior de ter problemas com os dentes?

 

DIABETE07Se seus níveis de glicose no sangue não forem bem controlados, você tem maior chance de desenvolver gengivite e de perder dentes quando comparado a pessoas que não têm diabete. Como todas as infecções, a gengivite pode ser um fator que eleva o açúcar do sangue e torna a diabete mais difícil de ser controlada.

Outros problemas bucais relacionados com a diabete são: candidíase (sapinho- uma infecção causada por um fungo que cresce na boca), boca seca que pode causar aftas, úlceras, infecções e cáries.

 

 

Como evitar problemas dentários associados com a diabete?

 

Em primeiro lugar, o mais importante é você controlar o nível de glicose no sangue. Em seguida, cuide bem da sua higienização e faça exames minuciosos a cada seis meses.

 Para monitorar os níveis de açúcar no sangue existem hoje modernos testes que podem ser feitos em casa, pelo próprio paciente ou um familiar, com uma simples tira reagente e um furo no dedo. O resultado é revelado em 5 segundos. Há também aparelhos que dispõem de memória para armazenar os testes mais recentes. Uma segurança a mais no dia-a-dia do portador de diabetes.

Para controlar as infecções por fungo, controle bem seu diabetes, procure não fumar e, se usar dentadura, remova-a e limpe-a diariamente.

O controle adequado da glicose do sangue também ajuda a evitar ou aliviar a boca seca causada pelo diabetes.

 

 

Que posso esperar das minhas consultas com o dentista? Devo contar a ele que tenho diabete?

 

DIABETE25
As pessoas que têm diabetes necessitam cuidados especiais e seu dentista está preparado para ajudá-lo.

Mantenha seu dentista informado sobre qualquer alteração em seu estado de saúde e sobre os medicamentos que estiver tomando.

Exceto em caso de emergência, não se submeta a qualquer procedimento dentário se o açúcar no sangue não estiver bem controlado.

 

 

Atenção: pacientes portadores de diabetes e hipertensão precisam de cuidados especiais quando tratados em consultório odontológico

 

Uso de medicamentos anestésicos e antiinflamatórios, o próprio nervosismo de consultar o dentista e a má cicatrização são problemas que podem ser agravados em pacientes portadores de DM, o que não costuma ocorrer em pessoas sadias. Dentistas despreparados para atender estes pacientes especiais podem fazer com que os doentes sofram conseqüências desnecessárias.

 

Doenças crônicas como o diabetes atingem uma parcela muito grande da população brasileira. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), cerca de 11% dos brasileiros possuem esta doença. Já o Ministério da Saúde estima que 40% da população acima dos 35 anos sofre com a hipertensão. São também vários os pacientes que possuem as duas doenças concomitantemente.

 

Além de cuidarem da saúde com médicos especializados, os portadores de diabetes e hipertensão precisam de cuidados especiais quando procuram por um tratamento odontológico



Quem sofre destas doenças precisa contar esse fato ao clínico logo na primeira consulta e isso por um motivo simples: é durante a primeira conversa que o dentista faz a anamnese, uma análise do paciente na qual são observados todos os aspectos de sua condição física. É aí que serão decididos quais os procedimentos, anestésicos e medicamentos utilizados no tratamento do paciente.

 

 

 

O paciente diabético e o tratamento dentário

 

Problemas mais comuns no tratamento dentário – quando em uso de insulina ou hipoglicemiantes orais, os pacientes estão sujeitos a acidentes hipoglicêmicos, como taquicardia, agitação, tremores e sudoreses quando os procedimentos dentários são demorados, impossibilitando a alimentação.

 

Cuidados que o dentista precisa tomar – Em função dos problemas citados acima, esses pacientes devem ser agendados em intervalos de refeições, preferindo-se consultas repetidas a atendimento único e prolongado. Muitas vezes, a presença de focos de infecções orais denuncia que estes pacientes estão descompensados, apesar de estarem tomando sua medicação e fazendo dieta. Isto requer uma atenção especial do dentista, no sentido de encaminhá-lo para novas avaliações com o endocrinologista.

 

Situação para interrupção ou descontinuidade do tratamento Ao se diagnosticar valores referenciais glicêmicos menores que o normal, (70mg% a 110mg%), acompanhado de sinais e sintomas como sudorese, palidez, taquicardia, nervosismo, tremores e hiperpnéia, ou com alterações de personalidade como cefaléia, sonolência, apatia, crise se ausência, deverá ser administrada solução contendo glicose, imediatamente (suco de laranja, coca-cola, etc.), com o objetivo de reverter o quadro de hipoglicemia. Se ocorrer perda de consciência, o serviço médico de emergência deve ser contatado. A administração de 2cc glicose a 20% IV, geralmente reverte o quadro. Quando as concentrações de glicose no sangue estão acima de 200 mg %, os pacientes só podem ser operados sob extrema vigilância.

 

Outros cuidados especiais com o diabético – Tratando-se de um paciente devidamente medicado, qualquer procedimento pode ser realizado, lembrando que em procedimentos cirúrgicos, como extrações dentárias e cirurgias de gengiva, sempre deve ser realizada a administração de antibióticos previamente e após os procedimentos. Um cuidado especial deve ser tomado em relação à instalação de implantes osseintegrados, onde este se torna contra-indicado em pacientes com higiene bucal precária.

 

Problemas dentários agravados pelo diabetes – O diabetes piora alguns quadros odontológicos, principalmente as doenças inflamatórias relacionadas à gengiva e tecidos adjacentes. Devido à dificuldade de defesa contra infecção e cicatrização deficiente nos diabéticos, os problemas gengivais, como gengivites e periodontites, são mais difíceis de serem tratadas gerando, muitas vezes, frente a uma higienização precária, a perda dos dentes. Outra manifestação comum é a candidíase (doença causada por fungos).

 

Halitose, outro problema típico do diabético – O mau hálito, ou halitose, é outra complicação desta doença. Esses pacientes, normalmente, apresentam um hálito bastantes cetônico, de odor doce e frutado. Bochechos com enxaguatórios bucais produzem melhoras sintomáticas e temporárias, assim como uma adequada higiene orale controle de placa bacteriana.

 

Cicatrização e medicamentos – De forma geral, a cicatrização do paciente diabético é deficiente devido ao menor número de células de defesa que circulam no local da ferida, por isso deve-se atentar para o uso de antibióticos antes e depois do procedimento cirúrgico, bem como um cuidado especial com a higienização pós-operatória, pois o risco de infecção nestes pacientes é maior. Se o paciente necessitar de antiinflamatório deve-se fazer uso de antiinflamatórios não-esteróides. Os corticóides, não são indicados para pacientes diabéticos, pois levam ao aumento da glicemia, bem como alguns anestésicos contendo adrenalina.

 

O papel do cirurgião dentista – O cirurgião dentista também é responsável pela qualidade de vida, prevenção de complicações da doença e compensação da glicemia do paciente portador de diabetes. Não podemos deixar de esquecer a função de educador que o profissional deve exercer neste paciente, para isso deve estar devidamente qualificado para tais funções. É importante salientar que o tratamento deste paciente é multidisciplinar, sendo de fundamental importância o encaminhamento ao endocrinologista para avaliação e controle já na primeira consulta e sempre que se for intervir em procedimentos odontológicos mais invasivos como cirurgia, periodontia, endodontia e implantes.

 

 

 

A importância do atendimento Odontológico ao paciente diabético:

 

Com evolução assintomática e indolor, o Diabetes Mellitus evolui silenciosamente no paciente, atingindo-o em todos seus órgãos.

 

Como vimos mais acima as complicações clássicas do Diabetes Mellitus, hoje são: 1. Alterações vasculares como angiopatias, 2. Nefropatias (renais), 3. Neuropatias (sistema nervoso), 4. Retardo de cicatrização e doenças periodontais e Peri-implantares, todos devido à hiperglicemia (alta concentração de açúcar), 5. Hiperlipidemia (alta concentração de gordura) e 6. Outras complicações associadas.

 

O paciente diabético tem um aumento da susceptibilidade a infecções devido à baixa imunológica tais como deficiência de leucócitos T polimorfornucleares resultando quimiotaxia, fagocitose a aderência prejudicada, como também apresentam deficiência na atuação de macrófagos.

 

ausência ou alteração nos níveis das imunoglobulinas IgA, IgG e IgM.

 

Por apresentarem alterações vasculares (isquemia) e neuropatias pode facilitar a evolução de infecções, o que aumenta sua descompensação.

 

O exame clínico e a anamnese do paciente diabético deverão ser rígidos e minuciosos em relação ao tipo de diabetes, controle da glicemia, controle da hipertensão arterial, complicações da doença e medicação por ele utilizada.

 

O tratamento deste paciente é multidisciplinar, sendo de fundamental importância o encaminhamento ao endocrinologista para avaliação e controle já na primeira consulta e sempre que se for intervir em endodontia, periodontia sub-gengival e cirurgia.

 

A solicitação de hemograma completo, coagulograma, hemoglobina glicosilada e glicemia em jejum deverão ser feita no começo do tratamento.

 

Muitas vezes estes pacientes estão descompensados apesar de estarem tomando sua medicação e fazendo dieta, por apresentarem focos infecciosos orais.

 

O exame radiológico é de fundamental importância no diagnóstico destes, principalmente com uma radiografia panorâmica anual e periapicais sempre que se suspeita de focos isolados, necrose pulpar, abscessos crônicos, cistos e granulomas.

 

A reabsorção óssea é comum nestes pacientes, devido a problemas periodontais sérios, causando mobilidade e perdas dos dentes.


Manifestações orais mais freqüentes no paciente diabético, principalmente descompensados são:

 

01. Redução do fluxo salivar: causando úlceras e irritações como

02. Queilites, queiloses e língua fissurada.

03. Infecções oportunistas: lesões herpéticas e candidíase.

04. Neuropatias: aumento de algias em língua e mucosa.

05. Alterações vasculares

06. Abscessos recorrentes

07. Hipocalcificação de esmalte

08. Hálito cetônico

É importante o exame da mucosa, língua e dentes em todas as consultas, pois o paciente pode apresentar algumas ou todas as manifestações e não saber que está descompensado, devendo o cirurgião-dentista encaminhá-lo ao endocrinologista para controle.

 


 

Observações importantes:

 

01. Sempre diminuir a tensão, stress e risco de infecção neste paciente.

02. Consultas médicas prévias, para melhor controle glicêmico e da  hipertensão arterial.

03. Consultas odontológicas curtas, inter-refeições, com o paciente alimentado e medicado.

04. Reavaliação periódica (de três em três meses).

05. Redução do consumo de álcool, fumo e alimentos ácidos.

06. Instruir sempre o paciente sobre:

06.01.  Prevenção (uso de flúor, selante e clorexidina).

06.02.  Profilaxia (escovação e fio dental).

06.03.  Auto-diagnóstico de alteração gengivais (sangramento) e dentais (cáries e fraturas de restaurações).

06.04. Profilaxia com antibiótico e avaliação médica para tratamentos endodônticos, curetagem sub-gengival e cirurgias.

 

A prevenção é muito importante na compensação do diabetes, pois, os focos infecciosos geralmente são indolores e cabe ao Cirurgião-dentista avaliá-los e tratá-los para que haja uma melhor qualidade de vida nestes pacientes.

 

Alguns exames laboratoriais solicitados a pacientes diabéticos para poderem submeter-se a procedimento odontológico invasivo:

 

01. Glicemia: É um exame extremamente objetivo para a avaliação do nível circulante de glicose no momento da realização do mesmo, sendo um teste rápido, barato de fácil execução, podendo ser realizado pelo próprio paciente (tiras de autocontrole) ou no laboratório.



 

 

02.  Hemoglobina Glicosilada (HbA1C): É atualmente o melhor método para avaliar o controle glicêmico do paciente diabético por ser independente das variações rápidas de glicemia e refletir o controle glicêmico nos últimos 60 a 90 dias (meia vida das hemácias) da data de sua avaliação, sendo portando um parâmetro de controle metabólico de longo prazo.

 

03. Hemograma: Avalia a série vermelha (possíveis anemias), branca (processos infecciosos e/ou bacterianos) aguda ou crônica e plaquetária (sistema de coagulação primário).

 

04. Coagulograma: TS (tempo de sangramento); TC (Tempo de coagulação); TP (Tempo de protombina) e TTPA (Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada) para avaliação dos mecanismos intrínsecos, extrínsecos e comuns da coagulação.

 

 

 

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