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ANATOMIA DENTÁRIA

Etimologicamente a palavra Anatomia é derivada do grego anatome (“ana significando ‘através de; “tome significando ‘corte).

Anatomia é o estudo microscópico ou macroscópico da estrutura física dos seres vivos, tendo em vista a forma e a disposição dos seus órgãos.

A anatomia é uma das áreas que são estudadas nos cursos de biologia, odontologia, veterinária e medicina, por exemplo, onde os estudantes aprendem como funciona e a localização de cada parte do corpo de um ser vivo.

Donde se conclui que anatomia dentária é o estudo da anatomia direcionado ao órgão dental.

 

DENTIÇÕES

Chamamos de DENTIÇÃO o conjunto de dentes de um indivíduo (animal ou humano).

Alguns animais podem perder seus dentes por foto002diversas vezes que nasce outro no lugar. Um bom exemplo é o crocodilo que pode perder cada um de seus dentes cerca de vinte e cinco vezes que nasce outro substituindo o elemento perdido. Alguns peixes podem perder seus dentes centenas de vazes.

Dizemos que os crocodilos são animais que possuem várias dentições, isto é, que são animais polifiodontes (do grego “poli, ‘muitos + "phýo", 'nascer' + "odonto", 'dente').

Alguns animais possuem uma única dentição e são denominados monofiodontes (do grego "mónos", 'único + "phýo", 'nascer' + "odonto", 'dente') que, como exemplos, poder-se-ia citar baleia, tatu e bicho-preguiça.


Existem animais que, seja pela evolução ou porque nunca tiveram dentes, são capazes de se alimentar usando o bico, a língua ou um focinho grande. Tais animais são denominados anodontes ("an", 'sem' e "odonto", 'dente'. Um exemplo típico de animais anodontes é o Tamanduá.


O sistema digestivo também é adaptado para receber o alimento inteiro, e não aos pedaços ou esmagado. E o fato de não terem dentes é compensado por uma língua fina, comprida e gosmenta, que consegue alcançar suas presas que estejam longe seu corpo.

Os animais que, como nós e os mamíferos caogatohumanodomésticos, possuem duas dentições são conhecidos como difiodontes (do grego “di”, ‘dois’ + "phýo", 'nascer' + "odonto", 'dente').


AS DUAS DENTIÇÕES HUMANAS

A primeira dentição, que começa a se formar por volta dos seis meses de idade completando-se por volta dos três anos, é chamada dentição primária, decídua, temporária, caduca, infantil, de leite, e outros.

Nota: o nome ‘de leitese deve à cor fortemente esbranquiçada destes elementos; e o nome ‘decídua é inspirado em certas plantas das florestas temperadas, as quais perdem suas folhas anualmente, no outono e inverno, renovando-as na primavera e verão (Do latim "decidùu-", 'que cai; caído').


Nesta dentição existem normalmente 20 dentes (sendo dez na arcada superior e dez na inferior).

A segunda dentição, que começa a formar-se por vota dos seis anos completando-se aproximadamente aos treze anos, é denominada dentição permanente ou secundária. Nesta dentição existem, normalmente, 32 dentes (sendo dezesseis em cada arcada).


Note que os primeiros dentes permanentes a “nascer” são os primeiros molares que erupcionam por volta dos seis anos (por isso conhecidos como molares dos seis anos) quando ainda todos os dentes decíduos estão na boca. É por isso que, em muitos casos, os pais da criança acreditam tratar-se de um dente de leite (figura abaixo).


Nas duas figuras abaixo o leitor encontra ‘um mapa’ mostrando a evolução das dentições humanas (as idades da criança à medida que os dentes vão nascendo) – decídua, mista e permanente. Com esse mapa, e olhando os dentes de uma criança, podemos obter uma estimativa da idade dela. Note também a presença do molar dos seis anos antes que qualquer dente decíduo esfolie (‘caia’). Observe que, nas duas figuras abaixo, os dentes azuis são os decíduos e os amarelos são os permanentes)

Formação da dentição decídua


Formação das dentições mista e permanente



HOMODONTIA E HETERODONTIA

Alguns animais possuem todos os seus dentes morfologicamente semelhantes e são denominados homodontes (do grego “homos, ‘semelhante’ + “odonto’, ‘dente’); e outros, como nós, tem dentes com formatos variados e são denominados heterodontes (do grego “hetero”, ‘diferente’ + “odonto’, ‘dente’).

Os animais homodontes apresentam, portanto, todos os dentes da mesma forma, variando apenas pelo volume. Os dentes, nestes animais, foto011servem para apreender a presa e depois degluti-la. São exemplos de animais homodontes, a maioria dos peixes, os crocodilianos, os ofídios e alguns mamíferos da subordem Odontoceti (golfinho e o cachalote).


HETERODONTIA NOS MAMÍFEROS

Nós humanos, que, como os mamíferos domésticos (gato, cachorro, etc.), somos heterodontes, apresentamos os dentes morfologicamente diferentes divididos em grupos com funções diferentes para cada grupo. Trata-se, portanto, de uma adaptação evolutiva.

O ato de mastigar é como uma linha de produção. Cada um de nossos dentes, com suas formas tão variadas e diferentes, têm funções específicas e distintas neste ato. Uns são responsáveis por cortar em pedaços o alimento; outros são responsáveis por picar estes pedaços; e, por fim, outros são responsáveis por moer tais pedaços até transformar todo o alimento em uma pasta, saborosa e rica em energia. A falta de um destes dentes ao "trabalho" leva, fatalmente, à má formação do produto final (bolo alimentar), permitindo que parte do alimento seja deglutido na forma de "pedaços", cujas porções internas não sofrerão a ação das enzimas digestivas, sendo descartados pelo corpo com toda a sua riqueza energética desprezada, vitaminas e sais minerais tão importantes para a vida.

Daí o prejuízo para a saúde total do indivíduo que representa a perda de um ou mais destes elementos.

Por isso, costuma-se considerar dentro das funções dos dentes, quatro aspectos característicos: preensão, incisão, dilaceração e trituração.

Os grupos dentais humanos especializados nas funções acima são denominados respectivamente: incisivos, caninos, pré-molares e molares.  

A incisão dos alimentos, ou ato de cortá-los em partículas menores, é realizado pelas peças dentárias situadas anteriormente na boca, cujo conjunto é denominado dentes incisivos. Os incisivos são dentes espatulados e cuneiformes, que possuem uma borda cortante e situam-se imediatamente atrás dos lábios, os quais funcionam como suporte, evitando que os incisivos se desloquem para adiante.


A dilaceração dos alimentos, ou o ato de rasgar e reduzir as substâncias alimentares a partículas menos compactas, é realizada pelo grupo de quatro dentes: os caninos, que seguem aos incisivos na sequência normal dos dentes nas arcadas dentárias. Os caninos possuem formas aguçadas e são de volume maior que o dos incisivos. Distinguem-se destes por terem borda cortante dividida em dois segmentos distintos por uma ponta nítida, que ultrapassa o plano incisal normal dos dentes espatulados.

Os dentes anteriores, incisivos e caninos, além das suas funções até agora mencionadas, desempenham função importante na estética buco-facial. A perda de parte ou de todos os dentes anteriores ocasiona profundas modificações não só no esqueleto facial como também nas partes moles que o recobrem. Os lábios e as bochechas se introfletem para a cavidade bucal devido ao fato de perderem seus elementos suportes, produzindo-se um característico pregueamento vertical.

A trituração dos alimentos é feita pelos pré-molares e pelos molares.  Se a simplicidade de forma adaptada à função é uma característica dos dentes anteriores, a complexidade é que se sobressai nos posteriores.


A morfologia dos dentes complica-se à medida que retrocedemos na arcada dentária. Este fato deve-se à presença de saliências, sulcos e depressões mais ou menos acentuadas, que tornam os pré-molares e molares aptos a desempenharem suas funções de verdadeiras mós (daí o nome ‘molar’) ou de um pistilo no gral no ato de reduzirem substâncias alimentares a partículas mais facilmente deglutíveis e digeríveis.


AS ARCADAS DENTÁRIAS

 As faces de todos os dentes humanos voltadas para a bochecha, lábio ou língua tem, cada face, uma morfologia curva que lembra a forma de um arco. Quando os dentes estão em posição na boca eles se colocam lado a lado e o conjunto deste arcos individuais forma uma curva denominada de arcada dental (o termo “arcada” é usado para lembrar que tal curva é formada por um conjunto de “arcos).

Temos, portanto, duas arcadas dentárias superior e inferior (tanto na dentição temporária como na permanente).

Diferentemente do que ocorre em outras espécies animais, no ser humano, em cada uma das duas arcadas permanentes, temos normalmente o mesmo número de dentes (dezesseis) e, portanto, ao todo, trinta e dois dentes normalmente.


HEMI-ARCADAS PERMANENTES

É didático, em nossas discussões, considerarmos duas hemi-arcadas que são imagens especulares (‘no espelho’) uma da outra como mostra a figura abaixo.


Na figura acima A a linha sagital mediada divide a arcada A em duas hemi-arcadas B e C (direita e esquerda, respectivamente).

Considerando as duas arcadas temos, então, quatro hemi-arcadas (hemi-arcada superior direita, superior esquerda, inferior direita e inferior esquerda).

Repare que cada hemi-arcada, com oito dentes (confira na figura acima), apresenta normalmente os quatro grupos de dentes sendo dois incisivos (central e lateral), um canino, dois pré-molares e três molares distribuídos de acordo com a figura abaixo:


Em cada hemi-arcada, à partir da linha mediana (figura acima), os dentes permanentes recebem os seguintes nomes: Incisivo central (IC), Incisivo lateral (IL), canino (C) (popularmente chamado de ‘presa’), primeiro pré-molar (1P), segundo pré-molar (2P), primeiro molar (1M), segundo molar (2M) e terceiro molar (3M) (este último também conhecido como dente do ‘siso’ ou do ‘juízo’).

 

HEMI-ARCADAS DECÍDUAS

Em cada arcada decídua existe normalmente dez dentes e, portanto, cinco em cada hemi-arcada.

Em cada uma da quatro hemi-arcadas, à partir da linha mediana, (confira com a figura abaixo) cada dente recebe os seguintes nomes: incisivo central, incisivo lateral, canino, primeiro molar e segundo molar. Repare que na dentição decídua não existem pré-molares e nem terceiros molares.


FÓRMULA DENTÁRIA

Como vimos, o número total de dentes na dentição humana é, normalmente, 20 na dentição decídua e 32 na permanente.

Para representar facilmente este número e os tipos de dentes usa-se a fórmula dentária, isto é, a maneira sucinta de especificar a quantidade de dentes em cada hemi-arcada.

Na fórmula dentária, a denominação de cada dente está representada pela letra inicial, sendo minúscula para os decíduos e maiúscula para os permanentes. Estas iniciais são colocadas em forma de fração que traduzem a separação das hemi-arcadas arcadas dentárias antagônicas (superior e inferior), tendo como numerador o número de dentes da hemi-arcada maxilar (superior) e no denominador os dentes da hemi-arcada mandibular (inferior).

Na fórmula dentária decídua a letra que representa cada dente deve aparecer com letra minúscula no caso de dentição decídua e com letras maiúsculas em caso de permanentes.

Para exemplificar vamos mostrar a fórmula dentária de um gatinho (dentes decíduos) e de um gato (dentes permanentes).

Para o gatinho temos:


Repare que a fórmula acima nos dá as seguintes informações: os gatinhos possuem na hemi-arcada superior 3 incisivos, 1 canino e 3 pré-molares (não possuindo nenhum molar) e, portanto, um total de 7 dentes em cada hemi-arcada superior, isto é, 14 dentes em toda a arcada superior. Na hemi-arcada inferior aparecem 3 incisivos, 1 canino e 2 pré-molares (não possuindo molar) e, portanto, com 6 dentes em cada hemi-arcada inferior, isto é, 12 dentes em toda a arcada inferior. Portanto, o gatinho normalmente possui ao todo 26 dentes decíduos.


Para o gato temos:


Repare que a fórmula acima nos informa que em cada hemi-arcada superior o gato possui 3 incisivos, 1 canino, 3 pré-molares e 1 molar, isto é, 8 dentes em cada hemi-arcada superior e, portanto, 16 dentes ao todo na arcada superior. Na hemi-arcada inferior aparecem 3 incisivos, 1 canino, 2 pré-molares e 1 molar, isto é, 7 dentes em cada hemi-arcada inferior, ou seja, 14 dentes em toda a arcada inferior. Portanto o gato possui normalmente 30 dentes permanentes.

 

FÓRMULA DENTÁRIA HUMANA

Se o leitor conseguiu interpretar a fórmula dentária do gato e do gatinho mostradas acima vai achar muito fácil interpretar a fórmula dentária para nós, humanos.

Fórmula dentária decídua humana:


Repare, pela figura acima, que em cada hemi-arcada decídua temos 2 incisivos, 1 canino e 2 molares conforme já vimos mais acima. Repare: cinco dentes em cada hemi-arcada, isto é, dez dentes em cada arcada e, portanto, vinte dentes de leite ao todo aparecem normalmente na dentição decídua.

Fórmula dentária permanente humana:


Note, mais uma vez, que a fórmula dentária permanente acima nos mostra que em cada hemi-arcada temos 2 incisivos, 1 canino, 2 pré-molares e 3 molares, isto é, 8 dentes, Isto quer dizer 16 dentes ao todo em cada arcada dentária (16 na superior e 16 na inferior), isto é, 32 dentes na arcada permanente. Isso também já tínhamos visto mais acima.


NOTAÇÃO DENTÁRIA (REGISTRO)

O cirurgião-dentista tem necessidade de anotar todas as alterações que encontra durante o exame clínico do aparelho dentário. Para tanto utiliza-se de uma ficha onde assinala aquilo que corresponde ao estado atual dos dentes do seu paciente. Este sistema de indicar, de maneira sumária e prática, os detalhes anatômicos das arcadas dentárias, constitui a notação dentária. A compreensão por parte do leitor desta notação o auxiliará a entender as anotações de seu dentista.

Cada profissional pode ter o seu modo pessoal de assinalar as peças dentárias, porém o mais usado é através da notação internacional.

Para isso consideremos que cada uma das arcadas dentárias é determinada por três planos a saber: horizontal, frontal e sagital (de acordo com a figura ao lado).


Destes três planos o que mais vai nos interessar é o plano sagital mediando que divide as arcadas dentárias em suas duas hemi-arcadas (direita e esquerda) a partir do encontro dos dois incisivos centrais (como mostra a figura acima).

O leitor deve imaginar agora o indivíduo de frente conforme a figura abaixo.


Nesta figura, o plano sagital mediano aparece como um eixo vertical e o plano horizontal (que passa entre as duas arcadas – superior e inferior – em contato) é visto como um eixo horizontal.

Note que o lado direito do 'paciente' aparece à esquerda da figura (como a nossa imagem no espelho).

Dividimos, assim, a boca em quatro quadrantes numerados a partir do superior direito em sentido horário. Portanto, temos:


a)     Quadrante 1: superior direito

b)    Quadrante 2: superior esquerdo

c)     Quadrante 3: inferior esquerdo

d)    Quadrante 4: inferior direito.


Numeramos agora os dentes de cada hemi-arcada (de 1 a 8) a partir do plano sagital mediano (conforme figura ao lado).



Os dentes poderão ser agora identificados, de acordo com a notação internacional, por um número de dois dígitos onde o primeiro dígito se refere ao quadrante e o segundo, ao dente.

Dessa forma para os dentes da hemi-arcada superior esquerda temos os seguintes números indicando os respectivos dentes (confira com a figura abaixo):


21 – Incisivo central superior esquerdo (quadrante 2, dente 1)

22 – Incisivo lateral superior esquerdo (quadrante 2, dente 2)

23 – Canino superior esquerdo (quadrante 2, dente 3)

24 – Primeiro pré-molar superior esquerdo (quadrante 2, dente 4)

25 – Segundo pré-molar superior esquerdo (quadrante 2, dente 5)

26 – Primeiro molar superior esquerdo (quadrante 2, dente 6)

27 – Segundo molar superior esquerdo (quadrante 2, dente 7)

28 – Terceiro molar superior esquerdo (quadrante 2, dente 8)


Dessa forma os dentes permanentes todos se identificam pelos seguintes números visto na figura abaixo:



Para a dentição decídua, em que os quadrantes são numerados analogamente de 5 a 8

Analogamente, os dentes decíduos são numerados de 1 a 5. Os números dos dentes de leite são: os incisivos centrais 1, os incisivos laterais 2, os caninos 3, os primeiros molares 4 e os segundos molares 5.

 A figura abaixo mostra como fica, portanto, a numeração de todos os dentes decíduos.


Note pela figura acima que, por exemplo, que os números

54 = primeiro molar superior direito

62 = incisivo lateral superior esquerdo

75 = segundo molar inferior esquerdo

81 = incisivo central inferior direito


CAVIDADE BUCAL

O único osso móvel da cabeça é a mandíbula. Quando elevamos a mandíbula de tal modo que os dentes da arcada inferior tocam os dentes da arcada superior dizemos que ocluímos as arcadas ou os dentes; ou ainda que os dentes ou as arcadas entraram em oclusão.

Quando as duas arcadas entram em oclusão o conjunto forma como que uma muralha que divide a cavidade bucal em dois compartimentos: um situado entre os lábios e bochechas e os dentes que é denominado vestíbulo bucal (a palavra ‘vestíbulo’ quer dizer “entrada”); e outro localizado entre os dentes onde se encontra a língua que é a cavidade bucal propriamente dita (figura abaixo)



Dessa forma os dentes possuem cinco faces reais a saber:


1.     Face vestibular (V): voltada para o vestíbulo da boca e que mantém relação com os lábios e bochechas.

2.     Face lingual (L): voltada para a cavidade bucal propriamente dita e que mantém relação com a língua (nos dentes superiores essas faces são também denominadas face palatina (P) devido às suas relações com o palato – o ‘céu da boca’).

3.     Faces proximais: são as faces de contato entre dois dentes vizinhos na arcada dentária, sendo:

·        Face mesial (M): a mais próxima (ou voltada para) o plano sagital mediano

·       Face distal (D): a face oposta à mesial (de ‘trás’).

4.     Face oclusal (O): são as faces que entram em contato quando os dentes entram em oclusão.

Nota: para os dentes anteriores é comum chamar-se as ‘faces oclusais’ de bordas incisais ou caninas (conforme referir-se à incisivo ou canino), mas continua-se a representá-las pela letra O.


DIVISÃO DA CAROA E DA RAIZ EM TERÇOS

As várias faces das coroas dentais (e as raízes) são divididas em segmentos ou terços, tornando mais fácil a localização de certos detalhes anatômicos (pontos de reparo), a descrição de lesões bem como a comunicação falada e escrita. Os terços são denominados de acordo com a sua localização. A figura abaixo, por exemplo, mostra essas divisões em um dente posterior inferior e um dente anterior superior:


Os nomes dos terços são os seguintes:

a)     Face oclusal: no sentido mésio-distal: terços mesial, médio e distal; no sentido vestíbulo-lingual: terços vestibular, médio e lingual.

b)    Faces vestibular e lingual: no sentido gêngivo-oclusal: terços gengival ou cervical, médio e oclusal; no sentido mésio-distal: terços mesial, médio e distal.

c)     Faces mesial e distal: no sentido gêngivo-oclusal: terços gengival ou cervical, médio e oclusal; no sentido vestíbulo-lingual: terços vestibular, médio e lingual.

d)     Raízes: para as raízes só interessa a divisão no sentido vertical, isto é, do longo eixo do dente: no sentido cérvico-apical: terços cervical, médio e apical.


DIVISÃO ANATÔMICA DO DENTE


foto026Do ponto de vista anatômico e descritivo, o dente é formado por três partes distintas: coroa, colo e raiz (figura ao lado).

A coroa dentária é a porção visível e funcionante na mastigação e seu aspecto distingue-se de imediato das demais partes. Ela é brilhante e permanece acima dos ossos de suporte e gengiva (é o que a gente vê quando olhamos nossos dentes no espelho).

A fixação do dente no osso se dá através da raiz em cavidades próprias (alvéolos) no interior do osso. Sua forma de ser implantada, simulando um prego encravado na madeira, fez com que durante muito tempo fosse chamada de gonfose essa relação dente-alvéolo (do grego “gonphos” quer dizer ‘prego’).

Repare pela figura abaixo que o número de raízes pode variar conforme o dente.


Normalmente os três molares superiores possuem três raízes; os molares inferiores e o primeiro pré-molar superior possuem duas raízes; os demais possuem uma raiz.

Além de suas funções como elemento fixador, a raiz dentária suporta o impacto das forças mastigatórias, graças às suas relações com as paredes do alvéolo dentário através de fibras do desmodonto (tecido conjuntivo fibroso que une o dente ao alvéolo também denominado ligamento periodontal ou simplesmente ligamento).

O colo (figura ao lado) é o segmento imediato entre a coroa e a raiz. É a parte mais estrangulada do dente (a sinuosidade do ‘pescoço’ do dente) e é limitado por uma linha sinuosa que se interpõe entre as duas outras partes do dente.


É importante que se faça distinção entre o colo anatômico e verdadeiro do dente e o colo cirúrgico.

O primeiro (colo anatômico) representa exatamente os limites divisórios entre a coroa e a raiz, facilmente perceptível pela diferença de cor (a coroa é ‘branca’ e a raiz, ‘amarela’ – figura mais acima) e pela sinuosidade (como na figura ao lado) que apresenta em todas as faces do dente.

O colo cirúrgico, nada mais é do que a porção inicial ou basal da raiz que fica sempre acima do alvéolo dentário e que, no indivíduo revestido de suas partes moles, permanece revestida pela gengiva. A retirada cirúrgica da coroa dental é feita sempre nesta parte basal da raiz, justificando plenamente o seu nome.


OS ALVÉOLOS

A figura abaixo mostra os alvéolos (cavidades ósseas onde se inserem as raízes) das arcadas superior (maxilar) e inferior (mandibular).

 

Quando o dente possuir uma única raiz esta se insere nos alvéolos denominados unilacunares (‘uma lacuna’ seta vermelha 3); quando o dente possuir duas raízes, estas se inserem nos bilacunares (‘duas lacunas’ seta vermelha 1) e se tiver três raízes, estas se inserem nos trilacunares (‘três lacunas’ seta vermelha 2).

Os alvéolos bi e tri lacunares possuem divisões ósseas internas que são os septos ósseos que separam a cavidade de cada raiz individualmente (seta verde).

A parte mais alta do alvéolo, próxima ao colo dentário, que contorna a entrada do alvéolo, chama-se crista óssea alveolar ou simplesmente crista óssea. As setas azuis apontam para duas destas cristas.

 

DIVISÃO ARQUITETURAL E ESTRUTURAL DO DENTE

Do ponto de vista arquitetural, e estrutural, o dente pode ser descrito com o sendo formado de quatro partes: esmalte, dentina, cemento e polpa (figura ao lado). As três primeiras formações são duras, calcificadas, enquanto que a polpa é o único tecido mole do dente e reproduz quase que fielmente a morfologia do dente.

A dentina ou marfim representa o verdadeiro ‘esqueleto’ (fuste) do dente porque encontra-se colocado na coroa e na raíz, de maneira contínua (observe isso no desenho acima), pois nem o colo dentário interrompe essa continuidade anatômica. No seu interior existe, pelo menos nos dentes mais jovens, uma ampla cavidade, a cavidade pulpar, que reproduz fielmente a morfologia exterior do dente (figura ao lado).

Como sugere a figura acima essa cavidade pulpar ou dentária deve ser considerada em seus dois componentes: câmara coronária e canal radicular, situados na coroa e na raiz respectiva mente.


A dentina, ao contrário do esmalte e do cimento, tem estrutura e funções idênticas em ambas as partes do dente, podendo ser considerada o verdadeiro arcabouço dentária, extremamente sensível graças a sua arquitetura especial onde sobressaem as terminações dos filetes nervosos que penetram em seu interior.


O esmalte, o tecido mais duro do organismo, empresta ao dente a sua coloração esbranquiçada característica e graças a sua consistência desempenha papel preponderante na mastigação dos alimentos. O esmalte envolve completamente a dentina coronária formando saliências e reentrâncias que dão a esta parte dentária um aspecto típico em cada tipo de dente da arcada. A espessura do esmalte diminui à medida que se aproxima do colo dentário, porém, ela permite perceber com nitidez os limites sinuosos que a linha do colo apresenta em contraste com a coloração mais amarelada da raiz.

O esmalte consiste principalmente de material inorgânico (96%) e somente uma pequena quantidade de substância orgânicae água (4%). O material inorgânico é idêntico à apatita.


O cemento é delicada película osteóide e é mais delgado na junção cemento-esmalte (20 a 50 micra) e mais espesso perto do ápice da raiz (150 a 200 micra). Esta camada radicular permite a fixação do dente no tecido ósseo do alvéolo, graças as fibras do ligamento periodontal (membrana periodontal ou desmodonto) que são inseridas no osso e no cemento.


A polpa ou verdadeiro cerne do dente é uma porção mole de tecido embrionário fundamental onde encontram-se vasos e nervos, dando ao órgão dentário a sua condição de tecido vivo e regenerador

da dentina.

RELAÇÃO ESMALTE-CEMENTO

Vimos que o esmalte recobre toda a coroa dos dentes até a região do colo. O cemento recobre as raízes desde o ápice da raiz até a região do colo. Portanto, na região do colo, o esmalte e o cemento podem se relacionar de modos diferentes (figura abaixo).


Em 1 a relação é dita topo a topo; em 2 o esmalte se sobrepõe ao cemento; em 3 o cemento se sobrepõe ao esmalte; em 4 esmalte e cemento guardam uma distância sem contato. A situação 4 é a mais desfavorável porque quando (e se) ocorrer retração gengival a dentina, que, como vimos, é um tecido sensível fica exposta o que acarreta bastante incômodo. 

Antes de continuarmos nossa discussão precisamos esclarecer os termos “osso esponjoso”, “osso compacto”, “processo alveolar” e “osso alveolar”. Faremos isso a seguir:

TECIDO ÓSSEO COMPACTO E ESPONJOSO

O tecido ósseo pode ser classificado quanto à sua estrutura macroscópica e microscópica.

Quanto à estrutura macroscópica, o tecido ósseo pode ser classificado em osso compacto e osso esponjoso:


Osso Compacto

É formado por partes sem cavidades visíveis.

Estão tipos ósseos estão relacionados com proteção, suporte e resistência. Geralmente, são encontrados nas diáfises (haste longa do osso).

Osso Esponjoso

É formado por partes com muitas cavidades intercomunicantes.

Representa a maior parte do tecido ósseo dos ossos curtos, chatos e irregulares. A maior parte é encontrada nas epífises (as extremidades alargadas de osso longo).

PROCESSO ALVEOLAR (ou APÓFISE ALVEOLAR)
A diferença entre uma mandíbula adulta dentada e uma mandíbula senil desdentada mostra bem o que se entende por processo alveolar.